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Como funciona um teste sem animal

Não queremos aceitar que cobaias – coelhos, cachorros, macacos, ratos, entre outros – passem por tortura durante o processo de criação dos nossos cosméticos. Mas como funciona um teste sem animal?

Já virou uma assinatura do site questionar assessorias, marketing e desenvolvimento sobre a postura de empresas em relação ao mercado livre de crueldade, pois após muito estudar este segmento dá para amplamente visualizar o consumo seguro de produtos que não tenham em seu DNA o sofrimento de um ser que em nada é inferior aos consumidores que transitam por gôndulas atrás dos melhores cosméticos.

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No início, quando ainda não existia a regulamentação do fim de testes em animais na União Europeia (2013), a alegação para muitos fabricantes que ainda seguiam esse protocolo era que não conseguiriam essa certificação por duas razões:

  • A China obriga tais procedimentos e as empresas não querem perder esse mercado tão grande
  • O custo para usar pele artificial validando produtos é muito alto, assim como é complicado conseguir fornecedores dentro das normas livres de crueldade animal

Quando a Europa, esse centro de consumo de beleza, disse que não aceitaria mais tal prática, muitas marcas finalmente tiveram que se mexer, o que foi uma imensa vitória.

Mas será que os testes em animais – obrigatórios tempos atrás na indústria cosmética – são tão precisos a tal ponto que tirá-los significa uma perda de qualidade no produto final, ou mesmo o aumento de risco para nossa saúde? Estudos indicam que essas manipulações com cobaias não são tão imprescindíveis assim (para saber mais, leia a entrevista que fiz com o expert Róber Bachinski, vencedor do Lush Prize, e descubra muito mais sobre esse tema que, erroneamente, segue polêmico).

Seguindo com minhas pesquisas, já estive em duas fábricas de produtos sem crueldade animal: a da Burt’s Bees, na Carolina do Norte, e da Lush, em Poole – Inglaterra.

Nessas duas visitas eu foquei bastante na produção e seus ingredientes naturais, mas não tive a oportunidade de ver os softwares que testam moléculas ou a pele 3D, mas isso mudou semana passada com a minha terceira e intensa visita ao QG da Natura, em Cajamar, São Paulo.

A marca que prioriza o uso de ativos naturais do nosso país está comemorando dez anos sem testes em animais, o que não reduziu a descoberta de novos ativos nesse período, muito menos o lançamento de produtos para banho, maquiagem e perfumaria.

E foi aí que tive a oportunidade de mergulhar no universo dos testes realizados em computador, verificando molécula por molécula, assim como outras formas de certificar que nossa pele estará bem tratada, assim como a de animais que não precisarão passar por tortura.

Usamos uma combinação de métodos alternativos. Não apenas um, e sim uma combinação de informações que juntas vão compondo um quebra-cabeça do que a gente chama de avaliação de risco. E como funciona? A primeira coisa é conhecer a planta (que vira ativo, num exemplo prático do que acontece na Natura). A partir disso olhamos a literatura disponível. Logo após, destrinchamos quais são as moléculas nesse material, e para cada molécula que não temos informação olhamos com softwares que chamamos de In Silico, ferramentas computacionais que observam a estrutura e prediz qual é a atividade que ela pode ter – boa ou de perigo – dando uma pista sobre o que isso quer dizer. Depois partimos para os modelos biológicos que são células ou modelos de pele e córnea equivalentes. – Vanessa Rocha, PhD cientista sênior Natura com mestrado e doutorado na USP

A pele 3D é o último estágio laboratorial, mas antes disso muita tecnologia de algorítimos é colocada na balança em um banco de dados que beneficia todo o segmento, evitando assim processos ultrapassados e até mesmo não tão seguros, um grande alívio para os que relacionavam cosméticos cruelty free com produção “de fundo de quintal”, ou seja, sem validação científica.

Me despedi do local com muita esperança que esse segmento se consolide e vire regra, mas também sei que a pressão dos consumidores vai selar essa mudança não apenas numa grande empresa como a Natura, mas tantas outras.

E você, agora que sabe da segurança de um teste sem cobaias, vai começar a repensar sua forma de consumo?

Foto: Divulgação.

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