Copinho: mais liberdade durante o mês

Conversar sobre o corpo ainda é tabu. Não deveria, mas é!

Falar então do corpo feminino dentro de rodas de conversa nas quais o machismo ainda impera é pior ainda.

E se existe uma resistência grande nesse sentido, há também uma forte e brilhante luz no fim do túnel que começa a unir mulheres através da sororidade.

Mais uma vez explicando: sororidade, essa palavra que pode ser confundida com sonoridade, nada mais é do que a união feminina. São mulheres que se enxergam como irmãs e não como rivais, criando uma rede sincera e natural de apoio que melhora a qualidade de vida para quem embarca nesse conceito. É lindo!

Sabe aquele mito que mulher não pode ser amiga de outra mulher? Esqueça! Pode confiar e começar a exercitar a empatia com suas amigas e com mulheres que você tromba por aí, isso se você já não faz isso sem ao menos reparar, pois sua vida muda para melhor.

E nessa conversa informal entre mulheres que nasceu uma diferente forma de encarar a relação com o ciclo menstrual.

Sim, vamos falar de sangue aqui! Não precisa ter medo. É algo completamente natural, tranquilo e nada traumático.

Faz um bom tempo que eu, Paula Roschel, estava interessada em experimentar o tal copinho coletor menstrual, porém ciclo vai, ciclo vem e eu nunca pedia o meu.

Antes de começar a experiência apenas me baseando em informações de anônimas ou propagandas na internet, resolvi perguntar para as minhas amigas o que elas achavam a respeito de tal estrutura muito mais ecológica que absorventes descartáveis, já que esse copinho é feito de silicone e dura até três anos numa boa (muita gente diz que ele dura até mais).

Uns 75% das amigas já estavam usando o “cup” numa boa, falando mil maravilhas dessa quase nova “invenção da roda” e a porcentagem restante estava curiosa para experimentar.

Eis que começo a minha investida com uma marca chamada Violeta Cup. Ela é a mais em conta no mercado atualmente e seus formatos são divididos em A e B, como normalmente acontece nas outras marcas.

  • A é para mulheres a partir dos 30 anos ou com filhos.
  • B é para mulheres com até 29 anos e sem filhos.

Não tenho filhos e passei dos 30, fui de B numa boa e deu certo.

Como sou muito alérgica, escolhi a opção transparente para ter certeza absoluta que nenhum corante ficaria em contato comigo por tanto tempo, mas isso é uma encanação minha e não sei se tem embasamento científico, ok?

Enfim, vamos para a experimentação: para colocar você precisa dobrar a boca do coletor. Fica mais fácil agachada ou com uma das pernas apoiadas numa cadeira ou estrutura mais alta.

Para tirar, nada melhor do que a hora do banho, agachada e pressionando a base do copo para tirar o vácuo (se não fizer isso, pode sentir desconforto).

Depois desses momentos de colocar e tirar, você esquece o coletor e segue a vida, inclusive fazendo exercícios, agachando e pulando.

Consegui então, depois de viver na prática a experiência, concordar com as amigas que já usam: é libertador!

Estou realmente encantada com a praticidade e, mais do que isso, com a economia de recursos e diminuição de lixo produzido na utilização em larga escala desse tipo de produto.

Além disso, ele me pareceu muito mais higiênico e seguro do que absorventes normais ou internos, esse último que nunca tive coragem de usar por receio de uma alergia ou algum acidente.

Mas o que talvez tenha vindo de brinde – um ótimo brinde, aliás – dessa investida toda foi entender um pouco mais sobre o meu corpo: que a gente não sangra tanto quanto acha, que o sangue oxidado (em contato com o ar) é o que causa desconforto/odor estranho e que o fluxo pode durar menos do que a gente imagina.

Conhecimento é liberdade! Então se eu tinha ainda algum nojo sobre o tema, isso me fez enterrar essa ideia de vez.

Como sou curiosa, resolvi pesquisar um pouco mais sobre o coletor e cheguei aos primeiros passos dessa belezinha:

Segundo informações do The Museum of Menstruation and Women’s Health, o coletor menstrual é produzido industrialmente desde a década de 1930 (há registros de coletores rudimentares circulando desde 1867). O primeiro coletor patenteado era assinado por Leona Chalmers e foi concebido nos Estados Unidos com o nome de Tass-ette; a ideia era fabricá-lo em borracha vulcanizada. Houve uma venda e divulgação significativa do coletor nesta década, e se seguiu um longo silêncio acerca do assunto.

Na década de 1950, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial foram fabricados copos menstruais nos Estados Unidos; a fabricação foi interrompida sem lucros anos depois, em 1963, por carência de látex, e por não ter se tornado muito popular, devido à opinião das mulheres: o achavam muito grande, rígido e pesado, além da questão cultural que envolve a manipulação da genitália e das secreções vaginais.

O coletor reapareceu em 1970, agora com o nome de Tassaway. Desta vez, ressurgiu como um coletor descartável. A fábrica acabou sendo fechada em poucos anos.

Desde 1987 é fabricado, também nos Estados Unidos, o coletor The Keeper, feito em látex. Foi o primeiro modelo fabricado em dois tamanhos, um deles voltado para mulheres mais jovens e sem filhos. Foi-se tornando bastante popular por ser reutilizável e duradouro, permitindo grande economia de dinheiro ao longo dos anos; além disso, desde o seu predecessor, Tassaway, o coletor recebeu boas críticas dos médicos, que o julgaram extremamente seguro, inócuo e capaz de reduzir a ocorrência de infecções genitais comumente relacionadas ao uso de absorventes externos (tanto descartáveis quanto reutilizáveis) e tampões. O coletor menstrual The Keeper, de látex, continua à venda até hoje.

Nos últimos anos, os coletores vêm sendo fabricados em materiais alternativos como o silicone médico, por conta da possibilidade de alergia gerada pelo uso do látex. Muitas fábricas entraram na produção dos coletores, o que permite maior possibilidade de escolha entre modelos, formatos, cores, possibilitando assim uma maior adequação entre as usuárias. (WIKIPÉDIA)”

Além do Violeta, existem outros coletores menstruais como o Fleurity, Lumma, Korui, Soft Cup (descartável) e InCiclo.

Ainda é mais difícil achá-los em farmácias, mas na web é possível comprar com taxas de entrega bem baixas e até promoções com dois coletores por um valor promocional.

Foto: Divulgação.

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