Parto, aplicativos contraceptivos e proteção

Em maio o JornaldamodA vai realizar uma série de entrevistas com especialistas em bem-estar da mulher: tanto físico quanto mental.

Para começar nossa seleção, que tal tirar dúvidas sobre parto normal, humanizado e contracepção?

Convidamos o especialista em reprodução humana, ginecologista e obstetra Doutor Rodrigo da Rosa Filho para dar o pontapé inicial nesse mês de conscientização:

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JornaldamodA: Por que a maioria dos médicos recomenda o parto normal? Quais são suas vantagens para a mãe e o bebê?
Dr. Rodrigo: O parto normal apresenta um índice de complicações e mortalidade menores que o parto cesárea. Para a mãe, a recuperação é mais rápida e promove um vínculo imediato com o bebê, além de diminuir o risco de hemorragia e infecções. Para o bebê, diminui o risco de desconforto respiratório e ajuda ao aleitamento materno na primeira hora pós-parto.

JornaldamodA: E por que existem tantos casos de cesárea no Brasil?
Dr. Rodrigo: O Brasil é um dos países que mais realizam parto cesárea. A cesárea é mais realizada aqui por falta de informação sobre os benefícios do parto à população, pela falta de estrutura hospitalar na maioria das maternidades, pela baixa remuneração de honorários médicos pelos convênios e desejo materno pelo parto agendado pelo medo de sentir dor ou não chegar a tempo ao hospital. No resto do mundo, o parto normal é mais valorizado, superando o número de cesáreas. O Brasil realiza cerca de 70% de parto cesárea e o preconizado pela OMS é que esse número seja de 20%.

JornaldamodA: E o que é o parto humanizado?
Dr. Rodrigo: O parto humanizado é o parto em que são respeitados os desejos da parturiente, como posição para parir, livre circulação, o mínimo de intervenções médicas, analgesia e medicamentos apenas quando ela solicitar. Enfim, é deixar a parturiente ter sua autonomia sobre o trabalho de parto e via de parto. Uma cesárea também pode ser humanizada, seguindo os mesmos princípios.

JornaldamodA: E o que seria a violência obstétrica que tantas mulheres têm falado em fóruns de mães?
Dr. Rodrigo: A violência obstétrica ocorre quando o médico impõe sua vontade própria sem motivo técnico para indicação de suas intervenções, sem levar em consideração a vontade da paciente, que muitas vezes fica refém do profissional e por medo de que algo aconteça ao seu bebê, têm seus desejos negligenciados.

JornaldamodA: Como evitar que isso ocorra?
Dr. Rodrigo: A informação está cada vez mais acessível na internet e esse é o melhor caminho para não sofrer a violência obstétrica. É importante ter muita conversa durante o pré-natal, informar ao médico se realmente é o parto que ela deseja, entender toda a situação e questionar sobre seus direitos e deveres.

JornaldamodA: Sobre contracepção, você já ouviu falar de aplicativos que medem a temperatura basal como método contraceptivo sem hormônios, como Natural CyclesOvuview e o Fertility Friend?
Dr. Rodrigo: Esse aplicativo (Natural Cycles) verifica o período fértil através do controle diário da temperatura basal e monta um gráfico com os dias férteis para que sejam evitados. Ele foi considerado como um método seguro por apresentar eficácia semelhante aos contraceptivos hormonais. Para mulheres com ciclos regulares, pode ser um bom método. Lembrando que não protege contra as doenças sexualmente transmissíveis.

JornaldamodA: Sobre a camisinha, qual a importância das mulheres exigirem o uso do preservativo mesmo em relações estáveis? O aumento de DSTs realmente está assustador no Brasil e no mundo?
Dr. Rodrigo: O número de casos de sífilis aumentou consideravelmente, entre outras DSTs, e a consciência de usar o preservativo para se proteger contra essas doenças é a melhor maneira de diminuir esses números assustadores.
O HPV também é cada vez mais prevalente e como é uma infecção que pode ser transmitida mesmo após anos de contato com o vírus, acho que as mulheres estão certas de exigirem de seus parceiros o uso de preservativo, pois o homem é assintomático e pode transmitir doenças que adquiriram previamente sem conhecimento.

Sobre o Doutor Rodrigo da Rosa Filho:
Graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp/EPM), é membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH) e da Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia do Estado de São Paulo (SOGESP), e co-autor/colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da SBRH e autor do livro ” Ginecologia e Obstetrícia- Casos clínicos” (2013).

Foto: Pixabay.

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