Entrevista: Ludmilla e a transição capilar

A cantora Ludmilla, agora embaixadora da Salon Line, resolveu mudar o rumo da rotina de beleza de uma forma que está cada dia mais popular entre cacheadas e meninas com o cabelo afro cansadas de alisar e sentir que a saúde dos fios não existe mais: optou pela transição capilar.

A transição capilar nada mais é do que abandonar os fios que tiveram a textura alterada pelo uso da química, assumindo assim o volume e forma natural.

Algumas mulheres optam pelo “big chop”, que é o corte de toda área afetada pela química, outras vão gradativamente cortando o cabelo alisado, deixando assim os fios naturais ganharem forma com o tempo. Em ambos os casos, um grande aprendizado acontece, pois as meninas redescobrem características pessoais que um dia deixaram de lado, aumentando assim a autoestima.

Batemos um papo com a funkeira que, além de falar de cabelo, também deu um recado inspirador sobre aceitação e força.

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JornaldamodA – Você começou a alisar o cabelo ainda criança, aos sete anos, é isso? Me diz uma coisa, se pudesse voltar no tempo, teria feito diferente?
Ludmilla – Acredito que sim, mas tudo na vida é aprendizado, existe um processo natural de amadurecimento. Naquela época alisar era natural e também não existiam muitos produtos que valorizassem e ajudassem o meu tipo de cabelo.
JornaldamodA – O que te impulsionou a querer deixar os fios lisos: pressão de amigos, olhar para mulheres da mídia com cabelos alisados ou algum fato específico?
Ludmilla – Eu achava bonito e ainda acho, mas os cabelos cacheados e crespos também são, por isso decidi passar pela transição. Quero redescobrir a minha beleza natural.

JornaldamodA – E qual o motivo para agora, já adulta, querer experimentar os fios com textura natural?
Ludmilla – Não quero mais ser refém das laces e acessórios. Meu cabelo estava muito detonado e nem me lembrava como realmente era, quero meu cabelo lindo e saudável de volta. Quero redescobrir a minha beleza natural, mostrar meus cachos para o mundo (rs).

JornaldamodA – Já passou pela sua cabeça fazer um corte mais radical para entrar na transição ou será aos poucos, modelando o que está com textura diferente?
Ludmilla – Eu cortei ele faz algum tempo, bem baixinho, por isso uso as laces, ela me ajuda a passar por essa etapa do tratamento. Quem passa pela transição capilar sabe o quanto é difícil. É preciso muita paciência, força de vontade e cuidados com os fios. Dá-lhe hidratação, nutrição e reconstrução. Não é só cortar e esperar crescer, requer muito trabalho para que o cabelo cresça saudável e com vida.

JornaldamodA – Qual seria seu recado para meninas que estão em dúvida sobre iniciar ou não o processo?
Ludmilla – É uma decisão difícil, mas libertadora. Cabelo black ou cacheados são lindos e super estilosos. A mudança acontecerá também na sua autoestima, não só no seu visual. Eu dou a maior força, vamos nessa mulherada, vamos colocar o cabelão pra jogo rs.

JornaldamodA – Você acha que esse movimento de empoderamento feminino e feminismo está dando mais coragem para as mulheres se aceitarem como naturalmente são?
Ludmilla – Acredito que sim. A mulher está conseguindo aos poucos demonstrar mais a sua força, personalidade e opinião. Isso reflete também em se aceitar do jeitinho que é, sem padrões preestabelecidos pela sociedade, sem regras e sem ser submissa. Acho essa mudança maravilhosa e inspiradora.

Foto: Divulgação.