E esse SPFW? Ocupação e força

Mais uma vez chegamos ao momento de conhecer um pouco da moda nacional nas passarelas do SPFW. E logo no segundo dia rolou o tão comentado desfile da marca de Emicida e Evandro Fióti, a LAB.

Mas qual a razão para tanta energia e emoção ao falar de uma label estreante no evento?

Sinto a vontade de não falar de moda aqui, mesmo se tratando de um desfile.

No espaço reduzido e com banho de neon, parte da cenografia com assinatura de Kleber Matheus, eu vi sorrisos largos e até mesmo lágrimas de emoção na saída daquela sala de desfile tantas vezes fria.

lab-spfw

A emoção, segundo as vozes que guiavam os sentimentos por ali, era de se ver representado num evento que, convenhamos, nunca pareceu tão aberto para grupos minorizados (e que não são, sem sombra de dúvidas, minorias).

Tinha um grupo já conhecido de blogueiras plus size, todas empolgadíssimas com o casting que também contemplava o corpo que elas olham no espelho diariamente, e também afirmações repetidas com orgulho, como da Lellêzinha, umas das estrelas do Dream Team do Passinho: “Aqui está cheio de preto lindo e poderoso”!

Ela, aliás, se uniu ao time poderoso de cacheadas da Garnier para promover uma linha de coloração que é totalmente voltada para meninas com cabelo afro.

lellezinha-spfw-garnier

E se tem uma coisa que me apaixona mais do que a beleza – escancaradamente minha pauta favorita – é o mundo dos cosméticos enxergando, mesmo que tardiamente, as meninas que aceitam seu cabelo, seu corpo, sua pele, sua forma de se achar linda e poderosa.

Aí pensei comigo:

A semana de moda não tem escolha: está ocupada, essa ocupação desperta um sentimento forte e é feita, simplesmente, por pessoas comuns. Por mim e por você.

Que isso resista, permaneça e siga abrindo mentes de quem ainda não conseguiu enxergar que a moda depende da rua muito mais do que a rua depende da moda.

Foto: Divulgação.

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